segunda-feira, outubro 23, 2017

domingo, outubro 22, 2017

ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU


esta documentação visual associada aos discursos da fé e da crença, amplia as análises e os problemas associados à documentação qualitativa...

sábado, outubro 21, 2017

pós-incêndios. um homem chora pelas suas colmeias perdidas. outro lamenta com lágrimas uma nespereira enxertada. uma mulher olha o vazio e pergunta a uma vizinha se viu o seu gato. um homem entre choros soluça o seu querido olival. um casal caminha na direcção da sua casa queimada. uma família em silêncio na berma da estrada tenta confrontar a realidade de um seu vizinho falecido. lembrei-me de Saramago, quando proferiu um dos melhores discursos de sempre: "o meu avô antes de ser hospitalizado foi despedir-se das suas árvores". será que algum governante entenderá o que é o amor por uma singela árvore?

e que mais da miséria se espera, quando a norma tem sido um grito mudo, a consequência de um conjunto de direcções financeiras que mais nada se esperava do que o aumento das dificuldades, e um recado do tipo "self help", tal como nos habituou um senhor que do alto da sua arrogância nos receitava um mandamento eficaz: emigrar em vez de lutar por um país que é de todos...
Vol. I. 2017
pós-incêndios. ouço um autarca de uma destas regiões mais afetadas referir que o fogo veio de outros municípios. logo o seu município está isento de qualquer fraqueza ou falha. os outros municípios de onde o fogo veio é que são os negligentes. serão estes argumentos necessários ou deliberados numa altura de catástrofe?

um outro ponto é o atraso que este interior centro flagelado revela, os parcos investimentos no social. as habitações, os arruamentos, as estradas, as pequenas reformas, as juntas de freguesia com orçamentos minguos. ficou na memória de todos e provavelmente do mundo inteiro, como estas pessoas defenderam os seus lugares, a impressionante entre-ajuda na luta contra estes incêndios colossais (quase ficção cientifica), em muitas situações, imagine-se, com baldes de água, pequenas mangueiras de quintal...esta é a imagem de um país tremendamente diferente daquele que os governantes destes últimos 20 anos ficcionaram...
Vol. I. 2017
parabéns estrelinha
hinos triunfais para este dia

quinta-feira, outubro 19, 2017

quarta-feira, outubro 18, 2017

ainda pós-incêndios. estranhamente não ouvi nenhum grupo de ecologistas. manifestações cívicas na rua. soltam uma "avezinha" e lá estão todos juntos em prole da  restituição da natureza perdida...

terça-feira, outubro 17, 2017

segunda-feira, outubro 16, 2017

"em casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão", esta é a máxima a subtrair aos transversais debates pós-incêndios. ao contrário de muitas opiniões políticas que tentam "jogar um jogo extremamente delicado e perigoso", ao fazerem questão de teimarem no foco cego das desgraças dos outros para posicionamentos políticos controlados à distância. uma das grandes certezas é o grau de seriedade imediata e urgente que esta matéria dos incêndios impõe às populações e suas administrações locais e nacionais. eu pergunto, ao longo do ano, quantas vezes ouvimos as pessoas mais comuns que vivem  a realidade dos quotidianos nestas zonas flageladas, aquelas que são deveras conhecedoras dos verdadeiros problemas e/ou suas causas? 

domingo, outubro 15, 2017

sábado, outubro 14, 2017

no alto de uma torre sineira solitária, numa noite
 escura de outono, com um silêncio das horas quase absoluto...

quinta-feira, outubro 12, 2017

(maria clara eimmart)

CANCIONEIRO TRADICIONAL DO CONCELHO DE IDANHA-A-NOVA

ó minha estrelinha do Norte
vai andando que eu já vou,
que me quero despedir
duma mãe que me criou,

(Ti Emilia, Idanha-a-Nova)
(randomitus)



a itinerância experiêncial de seguir atrás de um rebanho em direcção a um lugar qualquer que o pastor define é paciente, muitas vezes demoradamente paciente, outras a uma velocidade estonteante. nesta condução do seu rebanho, o pastor adquire e coloca em prática um conjunto de saberes/acções corporais incríveis: gestos, assobios, formas de falar com os animais, sons, manuseio do cajado e de pedras, treino de cães...enfim, entenda-se de uma vez por todas que estamos perante o fim eminente de uma arte   milenar, definidora das identidades destas terras raianas. aliás, depois de muito aprender  e/ou apreender com as longas itinerâncias pastoris, entendi deveras o que Alberto Caeiro queria dizer com "eu sou do tamanho do que vejo"...existe tanto mundo nestas itinerâncias...

quarta-feira, outubro 11, 2017

(realsurrealfeel

sentir que no nosso coração a vida realizou o último dos milagres: tornou-se num conto de fadas.

n. kazantzaki. o bom demónio, p. 131.

terça-feira, outubro 10, 2017

(toghrul, iran)

LENDÁRIO POPULAR RELIGIOSO. CRISTO

quando Jesus Cristo foi crucificado, voava em volta dele uma andorinha, que pouco a pouco lhe foi arrancando os espinhos que estavam cravados na sua sacra cabeça. Deus, em recompensa de tão benemérita acção, prometeu à andorinha, que ela seria amada e protegida pelos homens.


caderno notas de campo

POESIA POPULAR (BEIRA BAIXA)

eu vi o filho do rico
em lindo berço embalado
eu vi o filho do pobre
em tristes palhas deitado



segunda-feira, outubro 09, 2017

domingo, outubro 08, 2017

é preciso ter asas quando se ama o abismo

f. nietzsche
(Lieven Cruyl)

sexta-feira, outubro 06, 2017

Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João Baptista; mas, aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele. E, desde os dias de João Baptista, até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele.

Mateus 11:11, 12
o "caderno de notas de campo" é um autêntico canivete suíço. varia consoante os gostos. por lá costumam permanecer ideias relâmpago, frases soltas, desenhos atribulados, esquemas, nomes, nomenclaturas, riscos...muitos riscos. é uma das ferramentas principais no terreno, pois muitas dessas "matérias densas" são uma ajuda urgentíssima...para a memorização...

caderno 00. 2017 (Fiama Jasmim, 4 anos. "o meu planeta. vol. I e II)

quarta-feira, outubro 04, 2017

(peter oxford. all posters)

ainda no seguimento da posfotografia sélfica...
fantástica imagem...fantástico momento

CANCIONEIRO DE IDANHA-A-NOVA

minha coleirinha nova
infiada ao calor
todo o meu brio guardei
para dar a um pastor

(idanha-a-nova)

sábado, setembro 30, 2017

POR UM PAÍS (TREMENDAMENTE) DEMOCRÁTICO....




a todos aqueles jovens que morreram pelas lutas de rua em prol de uma liberdade criativa. nunca se esqueçam...

sexta-feira, setembro 29, 2017

quinta-feira, setembro 28, 2017

ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU


ainda procuro um sentido visual para este conjunto de imagens, vão talvez num eixo possível de uma "antropologia visual" das crenças e dos lugares, mas ao mesmo tempo escapam a esses sentidos obvios e tão arrumados em termos metodológicos, são mais miscelâneas, imaginários, terapias....hiper-imagens...
o benfica não vai nada bem...


durante o auge da era industrial, os operários da época manifestaram inúmeras vezes intenção de destruir as máquinas. havemos de adquirir com o tempo tecnológico os mesmos impulsos. pois o que está em causa é a crescente ausência de humanismo transversal a todos os humanos...

quarta-feira, setembro 27, 2017

                                o cordeiro, talvez seja o animal mais comestível no mundo, consequente dessa alimentação sacrificial...                                                                                                                                                            
caderno 00. 2017

terça-feira, setembro 26, 2017

CANCIONEIRO DO CONCELHO DE IDANHA-A-NOVA

trago José retratado
na agulha de fazer meia
por tua causa, José
apanho muita tareia!

(Salvaterra do Extremo)

segunda-feira, setembro 25, 2017

domingo, setembro 24, 2017

auto-experiencias. 2017 (Fiama Jasmim)
(detesto o estrangeirismo "selfies")
ǁ
aceita que nada é teu

sábado, setembro 23, 2017

sexta-feira, setembro 22, 2017

AUTARQUICAS 2017. IDANHA-A-NOVA (debate radio cova da beira)

Louise Bourgeois


já com algum atraso, ouvi recentemente na integra o podcast da rádio cova da beira. os candidatos ao município de Idanha-a-Nova que estiveram presentes foram: pelo PS, o atual Presidente do Município Engº Armindo Jacinto e pelo PSD, o Dr. António Moreira, pela CDU não compreendi a ausência (?). Debateram-se temas com alguma centralidade na vida municipal do concelho, onde o candidato do PS apresentou com pragmatismo os sucessos deste município (áreas da saúde, educação e apoios sociais). Outras áreas como o turismo, o desenvolvimento local e afins, também tiveram destaque, com o candidato do PSD a posicionar-se nas vertentes do termalismo e na actividade cinegética (promoção). Houve, como era de esperar, momentos mais tensos, quando se debatiam as contas e os números. Que, penso que ocupam quase sempre a maior mancha dos debates políticos, deixando-se de lado os problemas substanciais e reais, aquilo que as comunidades anseiam vislumbrar, futuro e mais futuro para as gerações presentes e as vindouras. A alguns temas abordados (turismo, cultura) penso que faltou de ambas as partes maior alcance, perspectivas mais abertas, de inclusão das comunidades nessa grande discussão, que é e será sempre pública. Aplaudo o sentido democrático do debate, com uma nota de incentivo para iniciativas deste género em termos locais. É sempre urgente referir que não existe democracia sem contra-poder.

quinta-feira, setembro 21, 2017

RUAS


uma rua em Évora. admiro bastante as cidades e seus recantos quase misteriosos.

quarta-feira, setembro 20, 2017


entretanto cinco aninhos passaram desde que iniciamos este grande poema-princesa Fiama Jasmim...

domingo, setembro 17, 2017

UM GRANDISSIMO POEMA, COMEÇADO...INACABADO (SEMPRE)








Feliz aniversário nossa grandissima princesa Fiama Jasmim. aqui está o grande poema, o tal que aqui sempre esteve...

sábado, setembro 16, 2017

(oldffeling)

continua a ser uma obra misteriosa e genial...

três anéis para os reis elfos debaixo do céu
sete para os senhores dos anões nos seus palácios de pedra
nove para os homens mortais condenados a morrer
um para o senhor das trevas no seu negro trono
na terra de mordor onde moram as sombras
um anel para todos dominar, um anel para os encontrar
um anel para a todos prender e nas trevas os reter
na terra de mordor onde moram as sombras

sexta-feira, setembro 15, 2017

O POVO, A MAIOR DAS MENTIRAS POLITICAS

(michele bressan)

e de repente por todos os recantos deste país em pré-campanha eleitoral tudo é povo,  de lés-a-lés surgem os lemas "das pessoas no centro de tudo", como se vivêssemos todos um enorme renascimento colectivo. mas nunca, mesmo nunca, os primeiros lugares serão para o povo e para as "pessoas comuns". na maioria dos municípios (principalmente nas capitais de distrito) a saúde e a educação são equacionados como prioridades imprescindíveis (bastou o vislumbre do debate na capital), mas o que a realidade nos diz é precisamente o contrário: hospitais e centros de saúde mais pobres, com menos especialidades, listas de espera mais longas, falta de médicos no interior, milhares de pessoas que abandonam os tratamentos face aos custos dos medicamentos....na educação desinvestimento em equipamentos, em livros para apetrechar as bibliotecas, em tecnologias, em qualidade de ensino, em prestigio de quadros docentes, em medidas de incentivo à formação continuada e especializada, falta de aproveitamento dos recursos endógenos especializados, falta de atenções redobradas para as condições de vida das populações, para as assimetrias sociais...feliz será aquele município que seja reconhecido pelos melhores hospitais e unidades de saúde, as melhores escolas do país, os melhores alunos, a melhor saúde dos seus habitantes,  a menor pobreza possível, etc...etc...este seria o melhor dos municípios e este seria o melhor dos países...

quinta-feira, setembro 14, 2017

COMO TUDO SE PRETENDE QUE SEJA MERCADORIA...

(stelio diamantopoulos)

interessante a missiva da UNESCO:

"o património cultural não deve converter-se numa simples mercadoria ao serviço do turismo - processo em que se degrada e empobrece - mas sim deve-se estabelecer uma relação de apoio mutuo".

a ideia remediada entre mercadoria (economia) e o espirito (cultura), M. Mauss continua a ser útil ser revisitado...


até ao fim da terra. finisterra...

terça-feira, setembro 12, 2017

segunda-feira, setembro 11, 2017


os ciclos naturais estão permanentemente a emitir-nos sinais diversos, ora de mudança,  ora de confrontos, ora de alertas, ora de meros continuares. chegamos ao mês de setembro e a luz modificou-se, tal como os dias se encurtam. há uma quietude que anuncia uma mudança natural, neste caso, uma alteração de estação do ano. sempre gostei de observar as mudanças de estações, dão-nos sinais de que também nós poderemos reiniciar ciclos...

domingo, setembro 10, 2017

MONSANTO, CICLO DO VINHO

Ti Zé Valente, Monsanto. 2008 (✝)

sabendo que estes saber-fazer estão em permanente transformação, conjuntamente com as suas paisagens e tecnologias tradicionais, este em particular relacionado com um dos momentos do ciclo do vinho em Monsanto foi ainda possível documentar graças ao grande amigo Ti Zé Valente que entretanto já partiu. a imagem mostra o pequeno espaço do seu lagar em granito e a tarefa de pisar as uvas no tanque. estou empenhado em revisitar estes espaços, até porque só faz sentido a leitura de um itinerário cultural relacionado com este ciclo na paisagem envolvente em complemento com estes mesmos espaços.

sábado, setembro 09, 2017

(artmagaz)

para onde vão os sonhos quando morremos...

na rua...

ALENTEJO. LUZ E VINHO


um pôr do sol alentejano, quase profético....

quinta-feira, setembro 07, 2017

DEBATES, AUTARQUICAS 2017 (RTP3)



(...) nota-se n'esta cidade uma tendência energica e profunda para satisfazer às exigências da vida moderna.

Pinheiro Chagas, 1874.

o debate que decorreu a semana passada entre os candidatos ao município de C. Branco foi no meu entender bastante moderado em termos de criatividade e ideias novas, com muito pouco futuro por discutir. estes debates que a televisão organiza são muito bem conseguidos e necessários junto da opinião pública, fornecem elementos a essas forças de cidadania pragmática, implicam discussão pública, democracia.

  reconhecendo méritos ao atual presidente (PS) perante este primeiro mandato à frente do concelho, com atuações solidas em algumas áreas, no entanto, outras nem por isso, falta de mão-obra qualificada nas áreas que a cidade podia multiplicar as suas mais-valias. ouvi revelar os projetos âncora nas áreas da cultura, mas este município não tem nos seus quadros, antropólogos e outras áreas afins para trabalhar as áreas culturais, como é que uma cidade que se quer pensar em termos culturais não inclui nos seus quadros antropólogos? talvez a cidade tenha mesmo que girar em torno de si mesma, em torno dos seus quotidianos, dos seus comércios locais, dos seus artesãos, dos seus habitantes que vivem e sentem a cidade? por outro lado, notas que só iriam reforçar esse sentido de "olhares para um território em conjunto", no que respeita ao candidato do PS, foi não ter reconhecido os méritos de um concelho como o de Idanha-a-Nova, no sentido de projetar essas mais valias em torno da cidade e suas possíveis partilhas/extensões inter-culturais. discutiu-se o turismo de natureza, então o grande projeto dinamizador da região nesta área não é o Geopark Naturtejo? então e o Parque Tejo Internacional? porquê que custa tanto aos atuais candidatos reconhecer os méritos num concelho ao lado, pois só traz mais-valias?

repetidamente discutiu-se turismo, no meu entender, discutir turismo sem essa dimensão de polos de atracção turísticos, faz pouco sentido. também não são os tão aclamados "hotéis de charme" (incrível que esta cidade esteja a ser pensada atras destes conceitos já ultrapassados na maioria dos trânsitos turísticos); é urgente fazer-se as etnografias da cidade, da revitalização do comercio local e das suas redes periurbanas, esses saberes-fazer em urgente requalificação. a unidade museologica do bordado de C. Branco pode e deve ser uma lente para se fazer uma etnografia deste labor no presente da cidade e até ir mais além com alguma candidatura mais ousada; as memórias desta tão importante atividade para a cidade, e os seus lugares e itinerários; o museu municipal com os seus sentidos de leitura para o vasto território da Beira Interior; e já agora porquê que não se pensa a arte contemporânea em conjunto com os artistas da cidade e do distrito? 


segunda-feira, setembro 04, 2017

CANCIONEIRO DO CONCELHO DE IDANHA-A-NOVA

chapéu alto, chapéu alto
chapéu alto leva o vento
quem se leva por cantigas
é fraco de entendimento

(Salvaterra do Extremo)

...
a cana do milho verde
tem muita velhacaria:
recebe a água de noite
para estar fresca de dia

(Salvaterra do Extremo)

chora a videira
e torna a chorar
pelo seu amor
que se vai  a andar 

(Idanha-a-Nova)

delicado é o peixe
que faz a cama no lodro (lodo)
delicados os teus olhos
que me prenderam de todo

(Proença-a-Velha)


domingo, setembro 03, 2017


na continuação das notas aqui referidas sobre estes apontamentos "icnográficos" em torno do espaço sagrado da romaria da Sª. do Almortão, fui recentemente até este lugar onde se encontra esta (quase incompreensível) estrutura de ferro e um conjunto de painéis de interpretação da paisagem envolvente. a sensação familiar e quase "druídica" ao chegar a este remoto lugar, era um (re)encontro com algo muito próprio, singular, um envolver de "coisas" que nos fazem recordar um profundo lugar, esse espirito do lugar, apenas o espaço da romaria com a sua ermida no coração de uma paisagem "natural" envolvente (a natureza em conjugação com o sagrado, as camadas dos ancestrais cultos da natureza, esse paganismo indelével na decifração deste todo, desta linguagem dos elementos, onde as águas tinham aqui um destaque para o corpo e o espirito), esses aromas trazidos pelos ventos conjugados com essa solidão característica do próprio lugar, convidativa a todos os questionamentos do horizonte alaranjado dos entardeceres, esses sentidos insondáveis que a meditação confere a estes lugares, aportando-lhes mistério, rejeitando quaisquer "textualizações", pois este lugar tinha inerente a sua própria identidade, que sempre foi um misto cimentado por diversas sensações em torno da fé e desse insondável sagrado que tudo renova nos seus ciclos, aquilo que identificamos como identidades locais que estão em permanente diálogo e partilhas. ao ser "patrimonializado", foi no meu entender completamente esventrado, jamais conseguirei olhar e estar neste lugar da mesma forma, pois foi como se fosse imposta uma "label/marca" ao lugar, uma modalidade de publicidade, tal como já observei nas paisagens do Douro vinhateiro (marca sandman), nas terras de Castilla (Espanha) junto à auto-estrada (o reimaginado touro). como se não fosse suficiente a rica e única vivência gerada em torno da alma do lugar...

muito próximo do que P. Valery escreveu:

"a publicidade, um dos maiores males da nossa época, insulta os nossos olhares, falsifica todos os epítetos, estraga as paisagens, corrompe toda a qualidade e toda a critica"