quinta-feira, junho 29, 2017

PEDRAS


ouvi recentemente alguém referir que esta pedra estaria associada a remotos cultos sacrificiais de animais, um possivel altar pagão. penso que a aproximação tenha a ver com o próprio topónimo "boiéco" (pequeno boi). não querendo entrar em contradição com o sentido interpretativo do lugar, apenas fiquei a meditar e num dia destes desloquei-me ao respetivo. foi um passeio descontraído, com aromas silvestres e muitos pássaros associados ao habitat fluvial e altivo. no lugar da pedra, conhecido como "barroco do boiéco", apreciei a sua imponente silhueta, esqueci de imediato a teoria sacrificial. desfrutei do silêncio e da paisagem para as "campanhas da Idanha". escrevi ou descrevi no meu caderno o que vislumbrava sentado no topo da pedra. meditei deitado na pedra, talvez tenha sentido essas forças primordiais, esses infinitos de imobilidade que esta pedra representa. pensei nas intempéries e nos calores que esta pedra já enfrentou, pensei noutras pedras mais pequenas que acompanham a falha do ponsul que deste lugar se avista. quando abandonei o lugar passei as mãos por cima dos rosmaninhos floridos e das estevas que a circundam, como uma coroa. ainda assim preferi nem pensar na teoria sacrificial, pois para mim seria demasiado redutor associar o topónimo ao sacrifício de bois, talvez o topónimo esteja próximo da própria configuração da pedra (como tantas outras..."pedra de urso", "cabeça da velha", "porca de murça"...etc), mas nem isso me interessou....

quarta-feira, junho 28, 2017

ARTE PASTORIL


cada vez mais me impressionam estes objectos e mais essenciais me parecem para repensar, em termos problematizantes, o seu lugar no presente...

terça-feira, junho 27, 2017


do inaudível...como diria john cage "o silêncio também é música"

segunda-feira, junho 26, 2017

sexta-feira, junho 23, 2017

ENCONTRO IBÉRICO DE ANTROPOLOGOS



aconteceu durante esta semana este importantíssimo encontro antropológico em Idanha. é deveras sensacional quando a academia se desloca para a raia, no sentido inverso dos itinerários/trânsitos de tantos estudantes destas regiões. estiveram presentes um conjunto brilhante de antropólogos (catedráticos) com currículos de topo na área das ciências sociais (antropologia). Tais como, Maria Catédra, Paula Godinho, Jesus Contreras, Brian O'neil, Jorge Freitas Branco (org.), Jose Manuel Sobral, Nuno Domingos, Jean Yves-Durand, Pedro Tomé, Vasco Teixeira, Rita Ávila, Manuela Cunha, Inês Mestre, Julian Lopez, Elene Freire, Marisa Gaspar, Marina Pignatelli, Angel Medina, Virginia Calado, Luis Cunha, Xerardo Pereiro, Pedro Cantero, Consuelo Alvarez, Lorenzo Mariano, Juan Flores, Esteban Ruiz....foi um verdadeiro "encontro" no sentido mais amplo, pois os debates quase sempre tiveram prolongamentos para as mesas do restaurante. o tema foi a "alimentação", daí os inúmeros cruzamentos e comparações entre as temáticas que ora daqui partiam ou para aqui convergiam. com eixos teóricos e conceptuais nos processos de memória/nostalgia, patrimonialização, identidades, fluxos, processos de naturalização, turistificação....

segunda-feira, junho 19, 2017

domingo, junho 18, 2017

TERTÚLIA "ASSOCIATIVISMO, PATRIMÓNIO E CIDADANIA" (MOMENTOS)





deixo aqui alguns momentos da tertúlia de sexta-feira com o antropólogo Luis Maçarico no CCR. com uma noite de 35º, absolutamente sufocante, ainda assim foi deveras singular a presença de um pequeno grupo de interessados implicados nas problemáticas do "Associativismo". posturas que se distanciam e diferenciam de muito do associativismo que temos e que apenas existe para si mesmo, como se o mundo fossem só eles e os seus protagonismos enquanto dirigentes. talvez seja mesmo o retrato sociológico do verdadeiro associativismo que temos a titulo local. por outro lado, para os que se interessaram e estiveram presentes, penso que todos ficamos mais ricos com a presença, o saber e a simpatia do Luis Maçarico. talvez iremos insistir nesta temática, escolher outros lugares e outros eixos de ancoragem para estas partilhas do colectivo...


quinta-feira, junho 15, 2017

TERTÚLIA - ASSOCIATIVISMO, PATRIMÓNIO E CIDADANIA





esta iniciativa para além de se enquadrar no âmbito das comemorações do centenário do Club União Idanhense, é também uma colaboração entre as associações locais (C.U.I e Raia gerações) e o Centro Cultural Raiano/Municipio de Idanha-a-Nova. O orador convidado é o antropólogo Luis Maçarico, um investigador com uma vasta experiência de investigação nos mundos associativos. 

segunda-feira, junho 12, 2017

em cima da noite 
com a armadura ferida
caminho
caminho para atingir o centro de um cardo-roxo
cintilante 
que visão a desta noite
desta intensa noite
no circulo radiante da flor de um cardo-roxo

*eddy chambino. caderno 00. 2017

sexta-feira, junho 09, 2017

quarta-feira, junho 07, 2017

domingo, junho 04, 2017

ON THE ROAD


as ideias vão surgindo num leque de velocidades. leio Artaud. aprofundo esses sentidos novos da loucura, da santa loucura...

sábado, junho 03, 2017

DA NATUREZA

(john james audubon)

vi que não há natureza
que natureza não existe
que há montes, vales, planicies,
que há árvores, flores, ervas,
que há rios e pedras,
mas que não há um todo a que isso pertença
que um conjunto real e verdadeiro
é uma doença das nossas ideias

a natureza é partes sem um todo
isto é talvez o tal mistério de que falam

*Fernando Pessoa, poemas de Alberto Caeiro

sexta-feira, junho 02, 2017

TERTÚLIA 011 - RAIA GERAÇÔES


Ontem estivemos em S. Miguel de Acha, novamente com os oradores Tom Hamilton e Dra. Maria Adelaide Salvado, na insistencia da temática da valorização do património sineiro da Beira Baixa (penso que faz mais sentido pensarmos este património no seu conjunto enquadrado nesta ampla região denominada Beira Baixa). Em S. Miguel de Acha destacou-se, como era de esperar nesta povoação com dinâmicas muito particulares, um publico extraordinariamente interessado e sensibilizado para a salvaguarda e valorização do seu património sineiro. O movimento está a ganhar contornos interessantes...